Festa do Espumante

Nas faldas da Serra da Peneda, freguesia de Gavieira, Arcos de Valdevez, há um percurso pedestre de PR, denominado Trilho Pertinho do Céu. Caminhos de lajes e trilhos de pastores conduzem-nos ao belo carvalhal da Branda de Bosgalinhas. Ao longo do percurso, deparamo-nos com exemplares de gado bovino das raças Barrosã e Cachena que pastam livremente em pastos de altitude, e campos onde ainda se cultiva o centeio, rodeados por muros de pedra encastelada, cobertos de musgo. Da Branda de Bosgalinhas, partimos em direção à Gavieira de onde regressamos a S. Bento do Cando, propriedade das populações da Gavieira. Este povoado é bastante conhecido pelas romarias (21 de março e 11 de julho) a que ocorrem devotos e peregrinos em adoração a S. Bento, mais conhecido por S. Bento do Cando, patrono dos monges beneditinos.

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Outono na Serra da Estrela

O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), o primeiro a ser criado em Portugal, situado na região centro-este, abrange seis concelhos e uma área total de mais de 88 mil hectares, dos quais cerca de 12% foram declarados em 1993 como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa. A sua orografia é marcada por uma sequência de planaltos, uma zona de média e alta montanha, no qual se inclui o ponto mais alto de Portugal continental e onde são bem visíveis as marcas de uma paisagem de origem glaciar, de que o Vale Glaciar do Zêzere é o seu testemunho maior.

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Do Monfurado à Serra D’Ossa

Há quem compare a região do Alentejo à Toscânia. Une-as a “alma gastronómica”, os vinhos e uma a paisagem modelada pelo homem, verdadeiro repositório de existências e vivências resultante de uma memória identitária forjada ao longo de milhares de anos. O Sítio do Monfurado, de Interesse Comunitário e integrado na Rede Natura 2000, abrangendo os concelhos de Montemor-o-Novo e Évora, é um desses locais que a presença humana transformou num local seminatural, de grande riqueza e biodiversidade e onde o megalitismo constitui o “fio condutor” desse repositório, tal a profusão de vestígios da milenar presença humana.

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Dos Alpajares ao Penedo Durão

As origens de Freixo de Espada à Cinta, embora encobertas pela bruma do tempo, remetem-nos para o homem do Paleolítico Superior (cavalo de Mazouco) e dos Narbassos (Ptolomeu), povo ibérico do período pré-romano, o que configura a existência desta povoação já no período anterior à fundação do reino de Portugal. Séculos de existência, marcados por inúmeros episódios históricos. Terra de histórias e de inúmeras lendas que reportam a origem da sua toponímia, como a do brasão de armas do fidalgo “Feijão”, do nobre godo “Espadacinta” ou de “Fraxinus”, que tentam explicar a origem do seu nome, Freixo de Espada à Cinta tem uma história geológica marcada pelas profundas alterações no leito marinho, como o “sinclinal” de Poiares, ocorridas há cerca de 550 milhões de anos e que deram origem às terras xistosas onde se produzem alguns dos melhor vinhos do mundo.

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Caminho de Jacinto / Roteiro Querosiano

 “Os vales fofos de verdura, os bosques quase sacros, os pomares cheirosos em flor, a frescura das águas cantantes, as ermidinhas branqueando nos altos, as rochas musgosas, o ar de uma doçura de paraíso, toda a majestade e toda a lindeza. Deixando resvalar o olhar observe os vales poderosamente cavados (…) os bandos de arvoredos, tão copados e redondos de um verde tão moço e sinta, por todo o lado, o esvoaçar leve dos pássaros.”  “Assim vagarosamente e maravilhados, chegamos aquela avenida de faias que sempre me encantara pela sua fidalga gravidade. (…) e ao fundo das faias, com efeito, aparecia o portão da quinta de Tormes, com o seu brasão de armas de secular granito, que o musgo retocava e mais envelhecia.”    in, “A Cidade e as Serras” , Eça de Queiroz

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Das Salinas da Ria a São Jacinto

A exploração do sal na zona de Aveiro remonta a um período anterior à formação da própria Ria de Aveiro. Sistema lagunar, as salinas embora sejam um habitat artificial, são de grande valor para as aves aquáticas, permitindo um equilíbrio notável entre o aproveitamento económico de um recurso e a conservação de valores naturais. Ao interesse paisagístico acresce o de serem verdadeiros santuários de biodiversidade. Para as aves, as salinas possuem ainda o atrativo de não sofrerem a influência do ciclo diário das marés, oferecendo-lhes portanto condições de alimentação e abrigo particularmente vantajosas.

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GeoParque Naturtejo

O Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, o primeiro geoparque português, é uma área classificada que passou a integrar as Redes Europeia (2000) e no Programa Geoparques Globais da UNESCO (2006) estabelecendo pontes entre várias dimensões do território, como a Biodiversidade, a Histórica, a Cultura e o Património Imaterial e baseia-se no desenvolvimento sustentável ao nível da geodiversidade, do ambiente, do uso dos recursos naturais, do envolvimento das comunidades e da sua preservação.

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Arrábida Mística

O Parque Natural da Serra da Arrábida (PNArr), criado em 1976 e ampliado em 1998, assenta num maciço calcário composto pelas serras da Arrábida, S. Luis, Louro e Risco, bem como da área marítima adjacente, a do Cabo Espichel. A sua vegetação possui um elevado valor natural dada a influência de 3 tipos de clima: euro-atlântico, mediterrânico  e macaronésio (arribas). A Serra da Arrábida, a última da Europa e Ásia, foi ao longo de séculos lugar de inspiração religiosa, mística e até literária.

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De Montedor ao Camarido

 

Sabia que o recém-criado Geoparque Litoral de Viana do Castelo acaba de ganhar o prémio Geoconservação 2016 da Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico (ProGEO)? O mais recente Geoparque nacional conta-nos a história da evolução da zona litoral a norte da cidade de Viana do Castelo com base em seis geosítios de excecional importância científica, e onde podemos encontrar “gotas” de magma, icnofósseis, ou gravuras rupestres, como aquelas que podemos observar no Alcantilado de Montedor. Uma paisagem modelada por diferentes momentos da evolução geológica e marcas que remontam de há mais de 500 milhões de anos. Modelada também pelo homem da Idade Média a quem se deve a construção das “pesqueiras” existentes nos interstícios das formações rochosas,  com recurso a pedras soltas que deixavam passar o peixe na subida da maré e o prendiam na maré baixa, ou as pias salineiras escavadas nas rochas.

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Sistelo, o pequeno Tibete

A orientação diversificada do relevo, as variações bruscas de altitude e o entrelaçar das influências climáticas dão origem a uma infinidade de microclimas. Estes, associados à constituição essencialmente granítica do solo e à ação construtiva do homem ao longo de séculos, criam características botânicas e paisagísticas muito particulares a esta zona, denominada de “pequeno Tibete português” pela beleza dos seus característicos socalcos.

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