O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), o primeiro a ser criado em Portugal, situado na região centro-este, abrange seis concelhos e uma área total de mais de 88 mil hectares, dos quais cerca de 12% foram declarados em 1993 como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa. A sua orografia é marcada por uma sequência de planaltos, uma zona de média e alta montanha, no qual se inclui o ponto mais alto de Portugal continental e onde são bem visíveis as marcas de uma paisagem de origem glaciar, de que o Vale Glaciar do Zêzere é o seu testemunho maior.

A importância internacional atribuída à sua biodiversidade e à preservação decorre do isolamento geográfico onde evoluíram as espécies da sua fauna e flora em habitats, onde se conjugam elementos atlânticos, mediterrânicos, continentais, alpinos e boreais , o que levou à classificação desta zona como Sítio de Interesse Comunitário (2000) e Zona Húmida de Importância Internacional (2005). A vegetação e a flora apresentam caraterísticas únicas, encontrando-se distribuída em 3 “andares” consoante a altitude considerada: na base, de acentuada influência mediterrânea, encontramos espécies como pinheiro bravo, o azereiro e algum azinho. No nível intermédio encontramos os campos de centeio e as matas artificias de pinheiros, pseudotsugas, abetos, cedros, larix, cupressus, carvalhais, soutos, castinçais, giesteira-brava ou a urze; na zona acima dos 1600m podemos encontrar zimbros e prados de gramíneas – onde predomina o cervum – tão importantes na alimentação das ovelhas e no fabrico do queijo sendo o único local do país onde encontramos uma população estabilizada de lagartixa-da-montanha. A atratividade desta serra remete-nos para a neve, o queijo típico e a paisagem natural, valores fundamentais da sua imagem de marca. A paisagem é sempre bonita, em qualquer altura do ano, mas há um período do ano em que os tons dourados das faias, bétulas, carvalhos ou castanheiros se tornam mágicos, quando a luz mais ténue do sol, pronunciando o Inverno, emerge por entre as suas folhas, numa poética paleta de cores e formas. Na serra, o Outono é a estrela!

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